“EM 2018, AS MULHERES VAMOS POR TUDO”

Editorial das piqueteras em português

MACRI ESTÁ NO SEU PIOR MOMENTO. O FEMINISMO ESTÁ MAIS FORTE QUE NUNCA

EM 2018, AS MULHERES

VAMOS POR TUDO

                                           por Daiana Asquini (*)

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Este 8 de março chega no pior momento do governo. 5 meses após de ganhar as eleições, Macri já tem dilapidado todo o seu capital político. As sondagens são eloquentes neste sentido. Para dar alguns exemplos, 6 em cada 10 encontram negativa a situação econômica e a falta de trabalho é indicado como o principal problema, com o 27,5% das coincidências. 13,6 pontos caíram da imagem positiva de Cambiemos. Hoje está localizada em 38%, logo do 51% recorde de novembro, dias depois dos comícios. Acrescentemos a este mal-estar econômico a raiva popular contra Triaca, Díaz Gilligan y Caputo e entende-se porque é que hoje, março 2018, 40% da população afirma que votaria por um candidato da oposição (mesmo sem saber em quem) e que apenas 30% escolheria Macri novamente. As pesquisas dão, portanto, que se a oposição se unisse, Macri perdeRIA as eleições presidências em 2019. Na província de Buenos Aires, a desaprovação de Macri chega até ¡60%! Isso significa que tem um povo que está farto e diz BASTA MACRI.

#MMLPQTP: O NOVO “QUE SE VAYAN TODOS” (N. Del T.: TUDO MUNDO FORA)

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Num pais onde uma família tem que perceber mensalmente uns $17.096 para não ser pobre e $21.862 para não pertencer a um sector vulnerável – salários que só recebe o 15% dos trabalhadores – ninguém se pode surpreender de que o povo “putee” ao presidente. (N. del T.: “Putear” na Argentina é considerado um sinônimo de “xingar”) Desde Las Piqueteras o saudamos porque, além de ser uma expressão misógina, o insulto a Macri refleita o profundo mal-estar popular. Destacamos o caráter político da linguagem ao ponto de que é considerado como sinônimos “tratar de puta” com um insulto. Por isso, em lugar de dizer “insultar” se diz “putear”. Finalmente, seguindo o exemplo das dissidências sexuais que popularizaram o MACRI HETERO, acreditamos que o movimento feminista tem que apoiar o “hit do verão” com seus próprios cânticos – como já fizeram as companheiras cantando “Mauricio Macri el garca que te crió” (N. del T.: “…el garca que te crió” é similar a “a bosta que criou você”).

O povo insulta o presidente porque está a desenvolver-se uma tendência para um SEGUNDO ARGENTINAZO CONTRA O MACRI. Em 3 meses tivemos 8 levantamentos consecutivos: Congresso contra a reforma provisional em dezembro; logo Fanazul, Rio Turbio, Rio Tercero, trabalhadores do açúcar, bancários, Junin contra o femicídio duma criança de 11 anos e a manifestação do #21F lotando a Av. 9 de Julio. O passado #19F aconteceram massivos “pañuelazos” pelo direito a decidir, sendo o aborto o tema de saúde pública que já cobrou a vida de 3000 companheiras desde o regresso da democracia.

Estamos num momento de revolução das mulheres no mundo enteiro, que tem mais força que nunca com a Women´s March contra o misógino Trump e os mais de 52 países nos que já se está convocando o 8M Greve Internacional de Mulheres. Chamamos às centrais sindicais a fazer greve neste #8M participando da Greve Internacional de Mulheres. O tempo do machismo acabou: em 2017 aprovamos a Paridade de Gênero e em 2018 vamos a aprovar o direito ao aborto.   

VAMOS POR TUDO: QUE MACRI CUMPRA O PROMETIDO

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A agenda da greve de mulheres, portanto, vai ter uma forte centralidade operária e anti-macrista. O principal reclamo das companheiras será contra os despidos e o ajuste macrista. Por isso, na cabeceira estarão as despedidas do INTI, docentes, estatais, Casa da Moeda, Easy-Palermo, ferroviárias, entre tantas outras. É ante este movimento de mulheres trabalhadoras que o macrismo responde com uma sequência mediática contundente: Chocobar- aborto- imigração. A Casa Rosada aposta nos debates polarizadores e de alto impacto emotivo e político para afastar-se da discussão econômica. Não é casual, portanto, que o macrismo pretenda prolongar o debate pelo aborto por 2 meses (precisamente, até junho).

Perante isso, o movimento popular tem 3 estratégias: a primeira “economicista”, que alega que essa agenda “distrai” do ajuste e “divide”. Nós respondemos: o que “divide” ao sector popular é “fazer-se de desentendido” com os direitos das mulheres, os migrantes e as vítimas do “gatillo fácil” (N. del T.: “Gatillo fácil” é a violência policial injustificada e abuso de poder das forças de “seguridad” para a disciplina social). Em segundo lugar, há aqueles que negam que exista uma rebelião feminista dentro de CAMBIEMOS e que, portanto, dizem que o governo “usa as mulheres” porque não acreditam que nós fôssemos a conseguir nenhuma coisa.  Nós respondemos: superestimam o governo e subestimam as mulheres.

Por último, estamos as mulheres que queremos tudo. Que é o que significa isso? Jogar em todos os campos. Do mesmo jeito que o movimento piquetero conseguiu impor o orçamento mais alto da historia em material social, Las Piqueteras dissemos que temos que exigir a Macri que cumpra com cada uma das suas palavras o assuma o custo político de não fazer isso. Nós queremos a equiparação salarial, queremos a extensão de licenças por paternidade, queremos educação sexual, queremos anticoncepção e queremos ajuda para a maternidade infantil. Ao reclamar isto não estamos “permitindo que o governo mude a nossa agenda” senão que nos propomos transformar a manobra macrista em vitorias concretas para o movimento de mulheres. Só trabalhando de forma transversal (intervindo nas crises reais dentro de Cambiemos) e exigindo tudo o que eles nos prometem dar (método 100% piquetero), é que vamos ter um movimento de mulheres mais forte e é essa força das mulheres a que nos vai permitir, numa última instancia conquistar todos e cada um dos nossos direitos.      

(*) Daiana Asquini é dirigente de Las Piqueteras e do Partido Piquetero

Traduzido por Mariana López

 

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